Príncipe de Astúrias, o Titanic Brasileiro


Construído nos estaleiros da Russel & Co na cidade escocesa de Glasgow em 1908, e lançado ao mar em 1914, o Príncipe de Astúrias era um dos principais navios que faziam a rota transatlântica entre Barcelona e Buenos Aires, fazendo escalas em Cádiz, Ilhas Canárias, Rio de Janeiro, Santos e Montevidéo, com duração de 30 dias.


Tripulação do Príncipe de Astúrias.da esquerda para a direita: o primeiro comissário Antonio Llinas, capitão José Lotina, o chefe de máquinas Dionisio Oñate, o primeiro oficial Alejo Gardoqui, que teve sua vida salva por  estar de licença para seu casamento
Com mais de 140 metros de comprimento, tinha instalações luxuosas para os passageiros de primeira classe, mas podia levar 1.300 passageiros, se fossem incluídos os alojamentos disponíveis nos porões do navio.


Escada principal. Símbolo de todo bom Transatlântico

Biblioteca – Salão das Senhoras da 1ª Classe

Dormitório do camarote de luxo da 1ª Classe

Refeitório da 1ª Classe

A cozinha do Príncipe de Astúrias

Salão de música. Ponto central que fornecia aos passageiros da 1ª Classe o acesso à varanda com vista para os salões, que os alemães chamavam “Catedral”

Galeria coberta de passeio.
As janelas protegiam as pessoas do vento produzido pela navegação e das adversidades do tempo.

Botes destinados aos passageiros da 1ª Classe

Imigrantes apreciavam a área da proa, onde toldos podiam ser armados para a proteção contra o sol escaldante dos trópicos, e  ainda, podiam dormir ali, ao ar livre, sob  a fresca brisa da noite.
Conta-se que naquela viagem, dezenas de abastadas famílias europeias fugiam para a América do Sul, buscando a tranquilidade que era impossível na Europa no auge da 1a Guerra Mundial.

Um transatlântico luxuoso carregado de ouro, além de transportar 447 passageiros e um grande número de refugiados alemães da Primeira Guerra Mundial. O navio atravessava o Atlântico em cerca de 30 dias, partindo de Barcelona e escalando em Cadiz e Las Palmas, na Espanha, além do Rio de Janeiro e Santos no Brasil, e Montevidéu, no Uruguai, antes de atingir Buenos Aires, na Argentina. Na madrugada de uma segunda-feira de carnaval de 1916, após uma forte chuva, a embarcação se chocou contra os rochedos da Ponta da Pirabura, em Ilhabela, abrindo uma enorme fenda no casco. O Principe de Asturias naufragou em menos de cinco minutos. Mais de 450 pessoas faleceram no desastre.

Foi o maior naufrágio nas costas brasileiras. Cercado de mistérios e curiosidades.

Na madrugada da uma segunda-feira, 06 de março de 1916, chovia muito, e o mar estava bastante agitado na costa paulista. Ilhabela é conhecida como "Cemitério de Navios", pois guarda em suas areias os restos de dezenas de naufrágios.


Mapa dos naufrágios Ilha Bela
O capitão José Lotina, preocupava-se com as ondas e com a baixa visibilidade à sua frente. Um relâmpago então iluminou por uma fração de segundo o mar à frente da cabine de comando, revelando quão próximo o navio se encontrava dos rochedos. Tão próximo, que não houve tempo para se fazer absolutamente nada. E a embarcação bateu violentamente em uma laje submersa e abriu uma imensa fenda no casco. Assim que a fria água do mar chocou-se contra duas das caldeiras da sala de máquinas houve uma grande explosão, que lançou ao mar homens, mulheres e crianças que estavam no salão de baile, provocando em minutos o naufrágio da embarcação.

Em sua 6ª viagem, o Transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias afundou na costa de Ilhabela matando 445 passageiros entre os 578 registrados, depois de bater nas pedras da Ponta de Pirabura.

Acredita-se que o número de mortos neste naufrágio foi muito maior que os números oficiais, pois não eram somente 578 os passageiros daquela viagem, e sim uma carga extra de mais de 1.200 pessoas que fugiam da guerra na Europa, espremidas nos porões do navio. Se isto for verdade, o Príncipe de Astúrias seria não o segundo maior naufrágio da América, mas o primeiro, superando o Titanic. Sobreviventes do naufrágio deram declarações lamentando a morte das centenas de "clandestinos" que haviam embarcado na cidade espanhola de Cádiz.

Os corpos de centenas de passageiros começaram a chegar às praias, principalmente na Baia de Castelhanos em Ilhabela e na Praia Grande de Ubatuba, a mais de 40 km de distância da Ponta de Pirabura, levados pelas correntes marítimas.

Os habitantes próximos a estas praias começaram a saquear os corpos, retirando roupas, jóias, carteiras com dinheiro, relógios e qualquer outro acessório que pudesse ter algum valor, e depois os restos mortais eram enterrados em covas rasas na própria praia, ou então queimados fogueiras.

Os corpos do Capitão José Lotina e do Primeiro Oficial Imediato Antônio Salazar nunca foram encontrados.

Moradores da região acreditam ouvir os lamentos dos mortos profanados no naufrágio nas noites chuvosas.

Muitos historiadores e pesquisadores apontam que o Príncipe de Astúrias carregava fortunas em seu interior, como pedras preciosas, dinheiro e centenas de barras de ouro soldadas em sua estrutura, que estariam até hoje escondidas nas profundas águas da Ponta de Pirabura. As expedições oficiais conseguiram resgatar apenas louças, talheres, porcelanas e utensílios, mas nunca saberemos se alguma das dezenas de "expedições piratas" realizadas nos últimos 50 anos encontraram algo mais interessante.


O Príncipe de Astúrias levava para Buenos Aires, Estátuas de Bronze que seriam usadas na construção do Monumento "La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas". O curioso é que essas estátuas envolveram várias mortes misteriosas, desde sua confecção, transporte e resgate, por isso, muitos acreditam que estas Estátuas são amaldiçoadas.


Estátua recuperada do Príncipe de Astúrias que seria usada em Monumento Argentino.
Hoje está exposta na Ilha das Cobras - RJ

A Maldição das Estátuas 

Existe a lenda que o Príncipe de Astúrias estava amaldiçoado, pois trazia em sua carga 20 estátuas de bronze (tamanho natural) encomendadas pela Colônia Espanhola de Buenos Aires em 1908, e que iriam fazer parte do Monumento La Carta Magna y Las Cuatro Reginones Argentinas, hoje, conhecido monumento de Los Espanoles (Palermo / Argentina) em comemoração do centenário da Independência da Argentina ocorrida em 1810. 

Em todos esses anos, algumas mortes foram registradas a quem ousou mergulhar com a finalidade de resgatar essas estátuas, sendo que oficialmente, somente uma delas fora resgatada e encontra-se exposta no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Todas as outras dezenove estátuas desapareceram do naufrágio e teriam um valor no mercado em torno dos U$ 400.000 cada.

Os episódios envolvendo as Estátuas:
  1. Em 1909 o escultor responsável (Augustín Queirol) pela encomenda morreu inesperadamente quando moldava as estátuas.
  2. Enquanto isso, o monumento que estava sendo construído na Argentina, desmoronou devido a fortes chuvas que ocorreram na época. 
  3. Em 1911 o escultor substituto (Cipriano Folgueiras) para finalizar o trabalho também morreu subitamente. 
  4. Somente em 1916, ou seja, passados seis anos após a comemoração do centenário de Independência da Argentina, que as estátuas ficaram prontas e foram embarcadas no Príncipe de Astúrias, quando seriam recebidas com grande festa organizada pelo Governo Argentino. Porém, o inesperado ocorreu: o Naufrágio, levando às profundezas do oceano, as vinte estátuas, assim como o responsável (Mas y Pi) pelo transporte das mesmas.
  5. Réplicas foram encomendadas pela Comunidade Espanhola na Argentina que somente chegaram ao seu destino em 1919, porém devido a altas taxas de impostos aduaneiros, as mesmas ficaram retidas por mais três anos. 
  6. Quando toda a parte burocrática foi resolvida e a valiosa carga liberada, descobriu-se que várias estátuas haviam se quebrado inexplicavelmente. Na época, as autoridades resolveram inaugurar o monumento somente com as estátuas intactas assim como hoje podemos apreciá-lo. 
  7. Devido a complicações na conclusão da obra do monumento, somente em 1927 o monumento pode efetivamente ser inaugurado, mesmo incompleto diante do projeto iniciado 19 anos atrás. 



Monumento "La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas"
O Príncipe de Astúrias levava as estátuas que seriam usadas em sua construção.
Foi inaugurado apenas em 1927, depois de inúmeros contratempos.
Os argentinos o consideram "amaldiçoado"

Mergulho no Príncipe das Astúrias

Mergulhar no Príncipe de Astúrias é com certeza, um dos mergulhos mais complexos de se realizar, requerendo do mergulhador não somente técnica. 

Ainda hoje, conseguir mergulhar no Príncipe de Astúrias é considerado um risco de vida, não só pela profundidade em que se encontra, ou a baixa visibilidade de suas águas, ou mesmo as fortes correntezas, desde a superfície até o naufrágio. Mas principalmente pelos mistérios sobrenaturais que o envolve.


Diversas histórias fantasmagóricas rondam o Príncipe de Astúrias, dentre elas, vozes que se ouvem lá em baixo, sensação de estar sendo segurado por alguém, deslocamentos de ambientes repentinamente, barulhos inexplicáveis e impressão de estar sendo seguido por alguém o tempo todo.



2 comentários :

  1. O vento e as ondas estão sempre a favor de quem sabe navegar.

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  2. Gostaria que você nos contasse sua experiência no Príncipe das Astúrias.
    Um naufrágio envolvido em mistérios.
    Abraços

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