Cavernas pelo Mundo: a Mina da Passagem

Compartilhando o artigo dos amigos Sergio Coutinho e Rodrigo Coluccini

Caros amigos,
Há anos mergulhamos em cavernas no Brasil e em todo mundo como na Flórida, México e outros locais. Também exploramos naufrágios espetaculares em locais como Truk Lagoon. Para isso, é necessário que o mergulhador possua conhecimentos de mergulho técnico e de caverna.

Destaquei um artigo produzido por mim e Rodrigo Coluccini, da Revista Deco Stop e grande parceiro da Alto Mar, para começar a contar das nossas aventuras subaquáticas. É sobre a nossa querida, mineira, Mina da Passagem, localizada na histórica cidade de Mariana, Minas Gerais.

O texto a seguir foi publicado na revista Deco Stop de abril/maio/junho de 2015.
Espero que vocês gostem!
Grande abraço e bons mergulho!
Sérgio Coutinho (o Serginho)
Instrutor PADI Alto Mar
Sergio Coutinho, o Serginho – Instrutor Alto Mar

O Lado Oculto da Mina da Passagem

A Mina da Passagem, em Mariana / MG, fica a 100 km de Belo Horizonte, a 450 km do Rio de Janeiro e a 600 km de São Paulo.
Essa antiga mina de ouro começou a ser explorada no século XVII e está desativada desde o início dos anos 80. Com o fim da atividade de mineração a mesma foi preparada para a visitação turística. O passeio começa na entrada da Mina, onde o turista embarca em um carrinho sobre trilhos (trolley), que se movimenta graças a uma máquina pneumática com quase 200 anos de idade. O carrinho percorre um trajeto de 315 metros e leva o turista a uma profundidade de 120 metros, onde o mesmo desembarca e, acompanhado de guias especializados, pode visitar as galerias e túneis escavados, conhecer o processo de extração, transporte e beneficiamento do ouro, e ouvir algumas das histórias que abundam na região. A frequência de turistas vindos do mundo todo impressiona: nos meses de alta temporada (julho, dezembro e janeiro) a mina recebe cerca de 6000 visitantes a cada mês.


Ao final de sua exploração econômica e com a Mina da Passagem desativada, foram paralisadas as bombas do rebaixamento do lençol freático e iniciou-se o alagamento da Mina. Para evitar o total alagamento, foi realizada uma abertura na Galeria do Nível 315, permitindo o escoamento da água do lençol e mantendo alagados apenas os níveis inferiores. A maior parte de sua extensão está coberta por uma água cristalina, com uma impressionante coloração azulada. Desde o lago, cujo nível está 120 metros abaixo da terra (no local de visitação turística), até o fundo da mina são 240 metros de profundidade, repletos de túneis e galerias que formam um labirinto submerso.

E é neste labirinto que desde 1999 os mergulhadores de caverna fazem cursos, se aprimoram e se divertem. Inicialmente e há mais de 15 anos, Romeu e Padinho, Eduardo Davidovich (DOC) e outros exploradores lançaram os cabos definitivos, ou ainda “de exploração”. Para os mergulhos mais “lights”, alguns pontos da Mina são velhos conhecidos de seus visitantes, como a Escada, a Ponte, a Bota e o gap da Boneca.

De alguns anos para cá alguns mergulhadores começaram a explorar outras partes da Mina, antes só vistas no século passado. As diversas equipes têm realizado vários mergulhos técnicos e com total segurança, sempre guiados por mergulhadores mais experientes. Vale lembrar que são mergulhadores de cavernas certificados, que treinam bastante e sempre estão se atualizando em equipamentos e fazendo novos cursos. Munidos de scooters, stages e misturas variadas, estas equipes de caverneiros tem ido mais fundo e mais longe a cada imersão.


Alguns termos já são ”‘velhos conhecidos” desses mergulhadores, tornando-se locais mais ou menos visitados, de acordo com nível de experiência:

Belém-Brasília: Normalmente entramos na Lagoinha (porção próximo ao final da Galeria de Visitantes). Descemos pela Boca-Do-Lobo à esquerda (cabo permanente que começa logo após descermos de 8 para 12 metros, logo na entrada da área de Cave); seguimos até o final do cabo onde temos a Barbie e o Chuck. Daí fazemos um Gap para a Belém-Brasília, túnel longo que ligava a área antiga à área nova da Mina da Passagem.

Galeria Rasa: É um alargamento mais raso da Galeria Belém-Brasília. Após cerca de 15 minutos a partir da Ponte (início da Belém-Brasília); tem o formato de uma Ferradura. Profundidade entre 18 a 21 metros.

Galeria Funda: Existe um Jump possível entre as duas pontas da ferradura da Galeria Rasa, que é a continuidade da Belém-Brasília. Após mais cerca de 10 minutos de navegação, em um bom ritmo, chega-se a um “T” na Belém-Brasília. Esse Plano Inclinado de Acesso (PIA) é a Galeria Funda. Descendo até os 40 metros chega–se a uma Cruz (alguns chamam de X). Nesse ponto existe um Circuito, chamado “a Volta da Funda”.

Cai-Cai: Nessa Volta da Funda existem Jumps possíveis: o primeiro é o Cai–Cai, que chega-se aos 50 metros, segue por túneis estreitos e com arcos em pedra. Podem-se verificar estruturas em forma de escoramentos do teto, sendo a primeira em metal e madeira, e a segunda em madeira, onde existe risco de desabamento e acaba, portanto, o Cabo da Galeria Cai-Cai. Neste percurso existem ainda 2 Jumps possíveis, sendo a Galeria do Cai-Cai uma das mais desafiadoras para mergulhos técnicos (considerando o perfil planejado: 35´@21m; 10´@40m e 30´@ 50m).

Escada: Segundo Jump na Volta da Funda. Consiste de duas seções: uma inferior aos 40 metros e outra aos 35-38 metros, subindo-se num “T” próximo a uma escada, que dá o nome à Galeria.

Paralela: Terceiro Jump possível, logo próximo ao Jump da Escada, a galeria Paralela é bastante longa, podendo-se chegar no 1/3 do Gás de fundo antes de atingir o seu final, que ocorre em torno de 35 metros de profundidade. Como ela é mais funda que a Volta da Funda, esta Galeria Paralela apresenta águas mais límpidas, mas não se engane, pois qualquer toque no fundo faz o “leite virar todinho”, Rsrsrs…


Existem ainda alguns Jumps pouco explorados para a Paralela, todos marcados, mas pouco visitados: após o Jump da Volta da Funda para a Paralela, logo no seu início, vê-se uma Janela Pequena: dá para passar de sidemount, mas não de dupla e chega na Volta da Funda. Uma segunda Janela Grande pode também ser vista cerca de 10 metros à frente. Nesse dá para passar de dupla com facilidade, chegando igualmente na Volta da Funda. O “T” no pé da Escada de Metal pode ser seguido, chegando-se também na Volta da Funda. Esse é o último Jump da Paralela.

Todos esses Jumps foram marcados por Eduardo Davidovich (DOC) e Romeu DIB, e confirmados por Aloísio e Sérgio Coutinho, com croquis realizados para essa seção dos Jumps & Gaps da Volta da Funda! Acabou? Não!… Ainda dá para seguir reto lá em cima na Belém-Brasília e, ao invés de descer para a Galeria Funda, segue-se em Direção à PIA-1. Mas esse é um mergulho para uma técnica mais apurada, com duplas de mergulhadores muito treinados devido ao “silt pesado” e ao consumo de gás extremo…

Treinamentos desde o Cave Diver, Sidemount, MultiStage Diver, DPV (scooter) e, agora, reabreather, estão disponíveis na Alto Mar para quem quer treinar nessa Mina, preparando para as maravilhosas viagens do México, Flórida, e outras mais. (clique aqui e saiba mais)

Ficou com água na boca? 
Se você é um mergulhador de caverna experiente ou quer aprender, agende sua exploração conosco na Alto Mar Mergulho.
Ligue para a gente: (31) 2531-5550





Mergulho nas Galerias do Cai-Cai, na Mina da Passagem, Mariana, Minas Gerais. Mergulho Técnico, multistage, com scooters e sidemount. Uso de trimix como gás de fundo. Profundidade máxima, 48 metros. Tempo total de mergulho 136 minutos. Descompressão com O2 (100%).





Mergulho nas Galerias Rasa e Paralela, Mariana, Minas Gerais.